Na comunidade onde moro, reside o capelão do hospital de Camposampiero. Nestes dias ele tirou férias e eu tive a oportunidade de substitui-lo do dia 18 ao dia 31 de julho e voltarei lá nos dias 22 a 29 de agosto.
Desta vez irei fazer uma especie de entrevista comigo mesmo, para dizer como foi a experiência de ser capelão num hospital público no norte da Itália.
Como funciona a saúde na Itália?
A Itália tem uma grande diferença sócio-econômica entre norte e sul, eu estou na região rica do norte. Aqui a saúde depende de cada região. No Veneto o sistema público é tão bom que não existe lugar para o sistema privado.
Eu tive que usar o hospital primeiro como paciente, e funciona assim: você vai ao seu médico de base e ele te encaminha para a clínica especializada. O médico de base trabalha em clínica fora do hospital, e pode ser procurado de segunda a sexta-feira. De posse do encaminhamento a pessoa marca o exame por internet, telefone ou no hospital. Se paga uma taxa por cada exame, que varia, mas para uma consulta é algo em torno de R$ 30,00.
Na minha cidade tem um hospital superdimensionado. Em uma população de seis mil habitantes, ele tem 8 andares, com cerca de mil leitos. É impecavelmente limpo, bem mantido e nunca o encontrei cheio. Recordo que ele pode ser usado, e é, pelas cidades vizinhas, mas existem muitos bons hospitais na região.
Uma coisa me chama a atenção: a fama dos profissionais de saúde no Brasil é de serem estressados, aqui eles são tão tranquilos e gentis, que destoa daquilo que existe fora dos hospitais.
Qual o trabalho do capelão?
A Itália é para mim uma sociedade invejável no senso que aqui vejo que, muito mais que no Brasil, há uma integração entre fé e cultura, mesmo que seja uma sociedade secularizada e com baixo percentual de frequência na igreja.
A Igreja da Itália leva com muita seriedade o trabalho nos hospitais. Aqui neste hospital a equipe é constituída por um sacerdote, um diácono e uma religiosa, sinto sempre falta de leigos (as) na pastoral italiana, muito marcada pela presença do clero. O sacerdote está no hospital todos os dias das 8 as 20 h, e quando não está, o celular fica disponível para o caso de emergência: morte e terminal. Eu fui chamado neste tempo duas vezes a noite para defuntos: a meia-noite e às 2:27 h.
Todos os que estão internados no hospital têm a possibilidade de receber a cada dia a comunhão e de solicitar unção e confissão. Tem a cada dia o rosário e a missa.
Quando acontece um óbito, aqui que é ainda mais diverso do Brasil, na hora a família chama o capelão que faz a primeira parte da encomendação. O corpo fica três dias na geladeira, por burocracia italiana. Ao final deste período, o pároco vem para acompanhar o corpo para a missa no cemitério ou na paróquia, e ele celebra a última parte da encomendação. Isto é possível porque as paróquias do Veneto são pequeníssimas.
O que significa isto para mim?
Aprendi com o sofrimento que a única possibilidade de humanização é a cruz: sem esta experiência nós somos iludidos sobre nós mesmos, os outros e Deus. É o sofrimento que nos faz humanos, ou melhor, ele tem uma força de nos fazer crudelíssimos ou nos converter.
Durante estes dias no hospital eu estava lidando todo o tempo com o limite da situação humana: dor, doença e morte. Encontrei pessoas com diversas histórias de vida, mas profundamente abertas. Que aprenderam a sorrir e a ter desejos simples.
Um homem me dizia assim, mostrando as fotos com os grandes do mundo: ele era chefe-militar do palácio presidencial em Roma, muito rico e cercado de pessoas. Acreditava ter poder e amigos. Hoje está numa ala de pacientes terminais, com câncer. Concluía: Deus foi o único amigo que me sobrou de fato e tudo aqui que vivi antes foi ilusão.
Já uma mulher, que aceitava a comunhão, mas não aceitava a confissão, me dizia: se alguém tem que se confessar comigo é Deus – Ele sempre me perseguiu, me fez viúva aos 28 anos, me deu um câncer e uma mestátase. Ela foi sincera comigo, e desde aquele dia eu a visito todo dia, com uma missão: possibilitar àquela paciente terminal de fazer a experiência do amor de Deus.
O hospital é isto: não tem tempo, não tem hora. Tudo pode acontecer. Mas você se encontra com a humanidade na sua forma mais simples: sem as ilusões que temos sobre nós mesmos, nos nossos limites e com a possibilidade de um encontro sereno com o Senhor.
Em resumo:
Quando me diziam que eu fazia bem a eles eu pensava e às vezes dizia: vocês é que me fazem bem. Eu só sorria, conversava e oferecia sacramentos. Eles me deixaram impressas algumas convicções que vou somando na minha vida: a vida humana é algo muito mais simples que nossos devaneios.
Diante daqueles corpos envelhecidos e doentes, mas que continham um espírito vigoroso, eu pensava: como somos pequenos, só vale a pena usar estes poucos anos para Deus e os irmãos, o resto é ilusão.
Partilho com vocês porque creio que tenho o dever de narrar esta experiência bela para vocês, seja para lhes envolver ou, melhor, para lhes encorajar a fazer o mesmo.
Fiquem com Deus!
PS: parto para terra santa no dia 12 de agosto, ali estarei por uma semana.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Rumo ao Congresso do ano Sacerdotal
Paz e Bem!
Hoje eu parto para Roma para participar do congresso de conclusão do ano sacerdotal.
O número de participantes é tão grande que tiveram que dividir-nos em dois grupos, por línguas: um na Basilica de São Paulo e outro na Basilica de São João, eu estarei nesta.
Tenho já a carteira de habilitação européia, passei do difícil exame e amanhã saio daqui dirigindo um furgão, levando unas 2 toneladas de livros para serem doados para nossa faculdade em Roma. Eu sou o bibliotecário do convento, e estes livros chegaram aqui doados por um padre de uma paróquia vizinha.
Rezem por nós sacerdotes participantes do congresso. Terei a alegria de ver muitos amigos.
Um abraço e que Deus lhes abençoe!
Hoje eu parto para Roma para participar do congresso de conclusão do ano sacerdotal.
O número de participantes é tão grande que tiveram que dividir-nos em dois grupos, por línguas: um na Basilica de São Paulo e outro na Basilica de São João, eu estarei nesta.
Tenho já a carteira de habilitação européia, passei do difícil exame e amanhã saio daqui dirigindo um furgão, levando unas 2 toneladas de livros para serem doados para nossa faculdade em Roma. Eu sou o bibliotecário do convento, e estes livros chegaram aqui doados por um padre de uma paróquia vizinha.
Rezem por nós sacerdotes participantes do congresso. Terei a alegria de ver muitos amigos.
Um abraço e que Deus lhes abençoe!
sábado, 22 de maio de 2010
Visitei o Santo Sudário

Ontem eu estive em Turim para ver o Santo Sudário, junto com um grupo de pessoas de Loreggia, fomos em três ônibus. Partimos as 5 da manhã e retornamos pela uma da manhã de hoje. Fizemos cerca de 800 km.
O Sudário está exporto depois de dez anos e é a primeira vez depois da restauração do tecido. Se prevê, como nas outras vezes, que venham em torno de três milhões de fiéis para a visita, ontem a fila era imensa.
Qual a minha sensação diante do Sudário? Uma coisa impressionante. Mesmo que a Igreja não chame o Sudário de relíquia da Paixão, devemos reconhecer que estamos diante de um tecido miraculoso: uma impressão sem tinta, uma pintura que não transpassa o tecido e que não tem espessura, tantos detalhes que nos reportam à narração dos evangelhos.
Eu não sou um caçador de relíquias e sempre fui muito prudente em relação a elas, mas o Sudário é sem dúvida uma coisa que impressiona. Diante dele eu não busquei a certeza da ciência, isto é importante, mas nao é tudo. Busquei sim atravessar aquele tecido com o olhar da fé e me deixar carregar para dentro do mistério de Cristo.
Celebrei a missa para o grupo na Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, onde viveu e está sepultado São João Bosco.
Foi a minha primeira experiência mais vizinha com um grupo de italianos, foi muito interessante: depois que se vence a resistência reverencial que eles têm diante dos sacerdotes, a convivência se faz tranquila e amigável. Para minha surpresa no grupo tinha uma brasileira que não fala português porque voltou para a Itália com oito anos e havia um outro João, um peruano que a mãe batizou com este nome para homenagear a um brasileiro.
Um abraço para todos. Fiquem com Deus.
domingo, 16 de maio de 2010
Um ano de Camposampiero
Hoje faz um ano que cheguei aqui em Camposampiero. No dia 13 de maio de 2009 eu peguei o vôo Brasília-Lisboa-Roma, e depois o Ministro Geral me trouxe para este convento. Nunca fiquei tanto tempo longe do Brasil.
Fiz uma grande revisão deste tempo que vivo aqui, que foi para mim um grande retiro. Agora quero partilhar com vocês um pouco de tudo isto, pois uma das conquistas deste tempo é saber que para se viver verdadeiramente uma vocação é preciso fazer o caminho inverso do usual e ter a capacidade de partilhar a vida, e a vida é feita de vitórias e fracassos.
Eu muitas vezes na minha vida cristã celebrei a semana santa, como sacerdote eu presidi estas celebrações por onze vezes antes de vir para cá. Este ano eu presidi a semana santa com um novo sentimento: eu havia passado pela experiência de cruz, de morte, de traição como o Senhor, e agora tinha a possibilidade de entrar no mistério pascal de uma maneira mais decisiva. Aqui posso dizer o que foi fundamental na minha vida: tudo que me aconteceu me fez mais humano.
Quando eu aceitei o convite do Ministro Geral para vir para Itália, eu vim decidido a mudar de vida, e esta decisão foi o diferencial da minha existência. Creio que de tudo que passei, isto é somente o que importa, deixando de lado definitamente pessoas, lugares e circunstâncias que me fizeram sofrer.
Posso lhes dizer uma coisa surpreendente: quando penso na vida que tenho hoje e naquela de antes, sou grato a Deus por tudo que me aconteceu. Acho que em tantos anos de vida religiosa, nunca estive tão bem e sem ter que carregar um mundo de preocupações na minhas costas. Mas quero dizer, tentanto ajudar a todos que possam sofrer qualquer dificuldade: somente quando nos decidimos a aceitar a graça de Deus e mudar de vida, é que conseguimos fazer do nosso sofrimento uma ocasião de graça, de vitória e até de alegria. É este o meu olhar para tudo que me aconteceu.
Camposampiero ficará sempre na minha história como o lugar do meu renascimento: ficarão sempre as cicatrizes da morte, mas sem a dor da cruz. E por isto eu posso louvar o meu Senhor, que esteve comigo, até quando eu não percebi: "Em verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia!" (Gn 28, 16)
Enfim, posso testemunhar que, uma pessoa sem uma experiência de sofrimento, de abandono e de morte (a tristeza profunda é uma certa morte), pode falar de cruz, mas somente a cruz vivida faz com que sejamos mais misericordiosos e mais próximos de Deus.
A todos a minha gratidão, pois a certeza que tudo isto me trouxe é que a minha vida não me pertence, e que tenho consciência que junto a mim estavam muitas outras pessoas sofrendo e rezando.
De Brasília me ficou a saudade. Não da cidade, mas de pessoas com quem compartilhei a vida, especialmente a minha família e muitos leigos, principalmente casais, que conheci nas pastorais. Para todos a bênção de Deus.
Fiz uma grande revisão deste tempo que vivo aqui, que foi para mim um grande retiro. Agora quero partilhar com vocês um pouco de tudo isto, pois uma das conquistas deste tempo é saber que para se viver verdadeiramente uma vocação é preciso fazer o caminho inverso do usual e ter a capacidade de partilhar a vida, e a vida é feita de vitórias e fracassos.
Eu muitas vezes na minha vida cristã celebrei a semana santa, como sacerdote eu presidi estas celebrações por onze vezes antes de vir para cá. Este ano eu presidi a semana santa com um novo sentimento: eu havia passado pela experiência de cruz, de morte, de traição como o Senhor, e agora tinha a possibilidade de entrar no mistério pascal de uma maneira mais decisiva. Aqui posso dizer o que foi fundamental na minha vida: tudo que me aconteceu me fez mais humano.
Quando eu aceitei o convite do Ministro Geral para vir para Itália, eu vim decidido a mudar de vida, e esta decisão foi o diferencial da minha existência. Creio que de tudo que passei, isto é somente o que importa, deixando de lado definitamente pessoas, lugares e circunstâncias que me fizeram sofrer.
Posso lhes dizer uma coisa surpreendente: quando penso na vida que tenho hoje e naquela de antes, sou grato a Deus por tudo que me aconteceu. Acho que em tantos anos de vida religiosa, nunca estive tão bem e sem ter que carregar um mundo de preocupações na minhas costas. Mas quero dizer, tentanto ajudar a todos que possam sofrer qualquer dificuldade: somente quando nos decidimos a aceitar a graça de Deus e mudar de vida, é que conseguimos fazer do nosso sofrimento uma ocasião de graça, de vitória e até de alegria. É este o meu olhar para tudo que me aconteceu.
Camposampiero ficará sempre na minha história como o lugar do meu renascimento: ficarão sempre as cicatrizes da morte, mas sem a dor da cruz. E por isto eu posso louvar o meu Senhor, que esteve comigo, até quando eu não percebi: "Em verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia!" (Gn 28, 16)
Enfim, posso testemunhar que, uma pessoa sem uma experiência de sofrimento, de abandono e de morte (a tristeza profunda é uma certa morte), pode falar de cruz, mas somente a cruz vivida faz com que sejamos mais misericordiosos e mais próximos de Deus.
A todos a minha gratidão, pois a certeza que tudo isto me trouxe é que a minha vida não me pertence, e que tenho consciência que junto a mim estavam muitas outras pessoas sofrendo e rezando.
De Brasília me ficou a saudade. Não da cidade, mas de pessoas com quem compartilhei a vida, especialmente a minha família e muitos leigos, principalmente casais, que conheci nas pastorais. Para todos a bênção de Deus.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Tema da Tesi
No nosso último encontro eu lhes falava da minha interrogação diante do falimento da instituição seminário: qual poderia ser a mudança substancial? Durante muito tempo, sobretudo tendo a graça de viver um pouco de tudo na minha vida, eu me perguntava para onde se deveria deslocar o eixo, o essencial, da formação seminarística, deixando de lado o eixo intelectual, que é aquele que domina hoje. A primeira conclusão é que este eixo deveria ser a espiritualidade, a bíblia ou a liturgia.
Num segundo momento eu vi que a liturgia é o mais englobante, pois ela contém a espiritualidade e a bíblia, além de que a espiritualidade sem a liturgia se torna algo egoísta e a bíblia sem a liturgia se torna facilmente instrumentalizada.
Chegando na faculdade eu comecei logo nos primeiros dias a buscar um orientador e gostei dos textos de um professor. Conversei com ele, Giorgio Bonaccorso, um monge de Santa Giustina que se interessou muito pelo tema e fez algumas indicações. Me dizia que não é a liturgia em geral que é formativa, mas é o rito. Ele trabalha com pedagogos na Universidade de Pádua e me dizia que hoje existe um consenso entre eles: a falta de rito está fazendo com que a família não consiga mais formar o filho, a escola não forma o aluno e a sociedade não forma o cidadão.
O tema do rito é hoje comum na psicologia, pedagogia, sociologia e antropopologia. Bonaccorso me fazia ver que o problema não é só no seminário, mas é o mesmo na vida consagrada, na catequese, na família e na sociedade.
A minha tese de mestrado buscará colocar a importância da revalorização do rito em prol da formação para a vida consagrada e sobretudo sacerdotal.
Até breve. Um abraço e bênçãos de Deus.
Num segundo momento eu vi que a liturgia é o mais englobante, pois ela contém a espiritualidade e a bíblia, além de que a espiritualidade sem a liturgia se torna algo egoísta e a bíblia sem a liturgia se torna facilmente instrumentalizada.
Chegando na faculdade eu comecei logo nos primeiros dias a buscar um orientador e gostei dos textos de um professor. Conversei com ele, Giorgio Bonaccorso, um monge de Santa Giustina que se interessou muito pelo tema e fez algumas indicações. Me dizia que não é a liturgia em geral que é formativa, mas é o rito. Ele trabalha com pedagogos na Universidade de Pádua e me dizia que hoje existe um consenso entre eles: a falta de rito está fazendo com que a família não consiga mais formar o filho, a escola não forma o aluno e a sociedade não forma o cidadão.
O tema do rito é hoje comum na psicologia, pedagogia, sociologia e antropopologia. Bonaccorso me fazia ver que o problema não é só no seminário, mas é o mesmo na vida consagrada, na catequese, na família e na sociedade.
A minha tese de mestrado buscará colocar a importância da revalorização do rito em prol da formação para a vida consagrada e sobretudo sacerdotal.
Até breve. Um abraço e bênçãos de Deus.
domingo, 25 de abril de 2010
Mestrado em Liturgia
Quero partilhar com vocês a minha vida acadêmica. Voltar ao banco escolar depois de anos de distância não é uma tarefa fácil: sinto o cansaço desta tarefa, mas confesso-lhes que estou cheio de entusiamo com o meu curso.
O curso é um mestrado em liturgia com especialização em pastoral, na Abadia Beneditina de Santa Giustina. Na cidade de Pádua tem três mestrados: espiritualidade, liturgia e pastoral. Eu tenho aulas de segunda a quarta-feira, assim é pensado para facilitar a vida dos párocos que fazem o curso.
Quando ouvem que faço mestrado em liturgia, é comum que as pessoas me façam perguntas sobre celebrações, na verdade isto não é tema do meu mestrado. A faculdade de Santa Giustina se interessa pelo estudo do rito no seu aspecto antropológico e fenomenológico, daí que temos poucos cursos voltados para teologia da celebração.
Escolhi esta faculdade porque vinha em resposta a uma reflexão que faço há alguns anos e agora muito mais: existe um consenso no mundo eclesial que o problema da atual formação para o presbiterato e vida religiosa está numa fase anterior – na falta de formação humana e cristã. Eu concordo com isto, mas sempre mais tenho a impressão que o seminário (ou casa de formação) não consegue formar o ser humano, o cristão ou o consagrado. Fundamentalmente, penso que o seminário, como pensado pelo Concílio de Trento, já cumpriu seu papel e não tem muito mais a oferecer à Igreja de hoje, os frutos destes seminário pipocam no mundo atual.
Me explico de modo melhor: sou convicto que o equívoco do seminário nos moldes de Trento está no fazer o eixo formativo recair sobre a formação intelectual. Ora, o intelecto não forma a pessoa, que é conduzida sobretudo pela vontade. A partir de tal percepção eu sempre me perguntei qual deveria ser o eixo formativo do seminário. É a esta pergunta que buscarei responder com a tese de mestrado.
Nos vemos depois. Na ocasião iremos aprofundar sobre o que propriamente irei tratar na minha tese.
Boa semana e fiquem com Deus.
PS.: Irei postar sempre algo no domingo e na quarta-feira.
O curso é um mestrado em liturgia com especialização em pastoral, na Abadia Beneditina de Santa Giustina. Na cidade de Pádua tem três mestrados: espiritualidade, liturgia e pastoral. Eu tenho aulas de segunda a quarta-feira, assim é pensado para facilitar a vida dos párocos que fazem o curso.
Quando ouvem que faço mestrado em liturgia, é comum que as pessoas me façam perguntas sobre celebrações, na verdade isto não é tema do meu mestrado. A faculdade de Santa Giustina se interessa pelo estudo do rito no seu aspecto antropológico e fenomenológico, daí que temos poucos cursos voltados para teologia da celebração.
Escolhi esta faculdade porque vinha em resposta a uma reflexão que faço há alguns anos e agora muito mais: existe um consenso no mundo eclesial que o problema da atual formação para o presbiterato e vida religiosa está numa fase anterior – na falta de formação humana e cristã. Eu concordo com isto, mas sempre mais tenho a impressão que o seminário (ou casa de formação) não consegue formar o ser humano, o cristão ou o consagrado. Fundamentalmente, penso que o seminário, como pensado pelo Concílio de Trento, já cumpriu seu papel e não tem muito mais a oferecer à Igreja de hoje, os frutos destes seminário pipocam no mundo atual.
Me explico de modo melhor: sou convicto que o equívoco do seminário nos moldes de Trento está no fazer o eixo formativo recair sobre a formação intelectual. Ora, o intelecto não forma a pessoa, que é conduzida sobretudo pela vontade. A partir de tal percepção eu sempre me perguntei qual deveria ser o eixo formativo do seminário. É a esta pergunta que buscarei responder com a tese de mestrado.
Nos vemos depois. Na ocasião iremos aprofundar sobre o que propriamente irei tratar na minha tese.
Boa semana e fiquem com Deus.
PS.: Irei postar sempre algo no domingo e na quarta-feira.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Primeira experiência de Semana Santa
Paz e Bem!
Tenho tido uma vida muito cheia de atividades. Confesso que depois de anos de correria, já aprendido a gostar da quietude que vivi nos meus 9 primeiros meses em Camposampiero. Como lhes falei anteriormente, no mesmo período eu tive que assumir atividades pastorais aqui no santuário e começar o mestrado em liturgia na Abadia de Santa Justina em Pádua.
A minha semana santa foi intensa de confissões. O meu convento é a penitenciaria (lugar de confissões) da diocese de Treviso. Temos sempre pessoas que vêm se confessar aqui, e por isto temos uma escala periodica de atendimentos, eu estou no confessionário duas na quinta-feira e duas na sexta, ao passo que os confessores ordinários estão todos os dias. Eu, como sabem, estou aqui sobretudo para estudar.
Na semana santa trabalhamos em multirão, porque era uma multidão de pecadores. Estive no confessionário de domingo de ramos a sábado santo, das 9h as 19h, exceto quando tive que sair para celebrar fora. Eu celebrei em geral na casa de repouso de Camposampiero, exceto na quinta-feira santa que celebrei numa casa de deficientes mentais.
O contato com as pessoas no confessionário, mais que o altar, permite de conhecer melhor o pessoal, a cultura e a prática religiosa.
Na próxima vez falarei dos meus estudos. Grande abraço e fiquem com Deus!
Frei João de Araújo
Tenho tido uma vida muito cheia de atividades. Confesso que depois de anos de correria, já aprendido a gostar da quietude que vivi nos meus 9 primeiros meses em Camposampiero. Como lhes falei anteriormente, no mesmo período eu tive que assumir atividades pastorais aqui no santuário e começar o mestrado em liturgia na Abadia de Santa Justina em Pádua.
A minha semana santa foi intensa de confissões. O meu convento é a penitenciaria (lugar de confissões) da diocese de Treviso. Temos sempre pessoas que vêm se confessar aqui, e por isto temos uma escala periodica de atendimentos, eu estou no confessionário duas na quinta-feira e duas na sexta, ao passo que os confessores ordinários estão todos os dias. Eu, como sabem, estou aqui sobretudo para estudar.
Na semana santa trabalhamos em multirão, porque era uma multidão de pecadores. Estive no confessionário de domingo de ramos a sábado santo, das 9h as 19h, exceto quando tive que sair para celebrar fora. Eu celebrei em geral na casa de repouso de Camposampiero, exceto na quinta-feira santa que celebrei numa casa de deficientes mentais.
O contato com as pessoas no confessionário, mais que o altar, permite de conhecer melhor o pessoal, a cultura e a prática religiosa.
Na próxima vez falarei dos meus estudos. Grande abraço e fiquem com Deus!
Frei João de Araújo
Assinar:
Postagens (Atom)

